O Panóptico chamado Brasil

ALGEMAS

O Brasil torna-se lentamente um estado policialesco, onde justiça, ministério público, e os diversos tipos de polícia que temos por aqui: Federal, Civil, Militar, Municipais, etc. tornaram-se protagonistas e verdadeiras locomotivas na mídia brasileira. Inclusive com personagens que estão quase na condição de celebridades ou personagens.

Por tudo aquilo que temos visto ser desenterrado nos porões do poder em Brasília, além de vários outros estados brasileiros, não há dúvida que, nos últimos anos, os volumes financeiros desviados rapidamente estariam expostos, se transformando em caso de polícia. O criminoso sempre peca pelo excesso. Mas também é verdade que quando a força de coerção passa de sua medida legal, chegamos a algo muito parecido com o fascismo, ditadura ou coronelismo, mais ao nosso gosto colonial. Um estado de exceção. Onde câmeras, grampos telefônicos, gravadores de bolso, disfarçados, dissimulados, delatores do inconfessável, são as ferramentas mais eficientes para nos aproximarmos da verdade, ou para utilizar um termo mais atual: transparência.

Como já disse aqui neste blog em um texto chamado “Pacotes, operações e o futuro”, desde 2003 foram feitas, apenas pela Polícia Federal, mais de 3 mil operações de grande porte, envolvendo setores públicos e empresas privadas, além de organizações não governamentais.

Me parece que se as operações estão aí é porque criminosos e crimes existem. A pergunta que faço é: quais os resultados destas operações, o que elas resgataram aos cofres públicos do que foi retirado deles? Quantos foram punidos nestas mais de 3 mil operações? Como elas podem evitar que novos crimes sejam cometidos? Se estas perguntas não forem respondidas consistentemente, para mim, de nada valeram as operações, também feitas com dinheiro público.

Em outros países com discursos também embasados no caráter de urgência, de emergência, ou mesmo de segurança nacional lançou-se mão da força “policial”, para combater o “inimigo”.

Cito aqui o exemplo do Macarthismo nos EUA, que “visando o bem” da sociedade americana e a preservação da sua democracia, por força policial matou milhares, além de expulsar muitos outros do país, em nome do combate ao comunismo. O governo francês também decretou estado de urgência no outono francês de 2005 e inverno de 2006, para controlar as chamadas Zonas Urbanas Sensíveis – a periferia de Paris e outras regiões onde vivem 5 milhões de franceses, na sua maioria descendentes de árabes e de africanos, em função de manifestações sociais. Outro exemplo clássico e atual é o National Defense Authorization Act (NDAA), de 2012 justificado pelos atentados do 11 de setembro de 2001, prevê, entre outras agressões civis, que cidadãos americanos possam ser mantidos presos sem acusação formal e sem julgamento por tempo indeterminado, em nome do “combate ao terrorismo”.

Me parece que o Brasil e sua população não escolheu o caminho da ditadura, mas não deseja também a corrupção instalada junto aos poderes. Esperamos que as forças policiais apenas combatam o crime em todos os seus âmbitos.

Estou certo que corrupção não se combate com força policial. Se combate com força cultural, educacional, com a força do exemplo individual. Polícia serve apenas para punir o crime já comprovado. Polícia nunca foi e não será agente transformador, apenas uma força repressora e mais ou menos necessária conforme a organização social.

Lembro de Michel Foucault e seu estudo sobre sociedade e poder, que resgata a ideia de Jeremy Bentham do Panóptico, um dispositivos de vigilância do início do século, onde a vigilância policial domina a distribuição de corpos em diversificadas superfícies (prisões, manicómios, escolas, fábricas). Neste livro, “Vigiar e Punir”, Foucault altera o modo de pensar e fazer política social no mundo ocidental.

Precisamos estar atentos ao frágil Brasil. Não precisamos de heróis, de justiceiros, não precisamos de mais força de repressão. Precisamos combater o crime. Mas com a certeza que corrupção e crimes se combatem com inteligência, com cultura, com educação, com igualdade de oportunidades, e principalmente valorizando as atitudes individuais de respeito ao outro em nosso dia a dia.

A palavra e a imagem

delacroix

Retrato de George Sand

O museu nacional Eugène Delacroix, administrado pelo Louvre, está localizado em uma das residências do pintor francês em Paris no 6, rue de Furstenberg, ao lado do Boulevard Saint-Germain. Quem já o visitou, caminhou por seu jardim intimista, pelos cômodos do apartamento do artista, ou mesmo em seu estúdio anexo à casa principal, percebe a atmosfera respirada no século XIX. O museu é impecavelmente, simples e envolvente.

No ano passado o museu adquiriu um retrato feito por Delacroix da escritora George Sand em 1834. Para comemorar esta aquisição foi preparada um exposição que resgata esta grande amizade entre o pintor e a escritora que compartilhavam Shakespeare e Byron, além de admirar a força da pintura espanhola.

O museu ganha uma imensa força com essa aquisição, trazendo para seu interior silencioso mais uma elo de Delacroix com o mundo, seja ele romântico nas notas de Chopin, seja na boemia de Paris urbana, seja no campo idílico de George Sand, seja nas poderosas imagens marroquinas que invadiram o território de sua pintura. A angustia de sua arte e a força de suas pinceladas estão na base do expressionismo.

The word and the image

The national museum Eugène Delacroix, managed by the Louvre, is located in one of French painter’s houses in Paris, number 6, Rue de Furstenberg, next to the Boulevard Saint-Germain. The atmosphere of the XIX century is easily noticed by people that have visited the place, walked through its intimate garden, through the rooms of the artist’s apartment, or even entered into his studio attached to the principal house. The museum is impeccably simple and enchanting.

Last year, the museum acquired a portrait of the writer George Sand, painted by Delacroix in 1834. To celebrate the acquisition, they prepared an exposition that covers the great friendship between the painter and the writer. They shared a passion for Shakespeare and Byron and were both fond of the strength of Spanish painting.

With this acquisition, the museum gains an immense strength, bringing to its silent interior one more link between Delacroix and the world ― be that romantic in Chopin’ s notes, be that in the bohemia of urban Paris, or in the idyllic field of George Sand, or even in the powerful Morrocan images that invaded the domain of his painting. The angst of his art and the strength of his brush strokes are in the very basis of Expressionism.

brasil: o caos deliberado

vulcao

2017 inicia e deixa para trás uma sombra grotesca e assustadora de um país que se supera negativamente todos os dias. O Brasil sempre possuiu uma sociedade injusta, porém agora somos, além de (novamente) mais desigual, também mais violenta.

Minha opinião é que por sermos, todos, hipocritamente coniventes com a perpetuação das injustiças provocamos, nas partes mais frágeis do nosso tecido social, a explosão da violência como resposta ou ponto de fuga. E não falo aqui apenas da violência institucional, visível, com nome próprio como: homicídios, assaltos, ou sequestros; falo sobretudo da violência doméstica, social, silenciosa, invisível, e portanto mais trágica, que destrói nossa infância, ou penaliza a velhice e todas as demais fraquezas. Um tipo de violência sórdida que deseja nossa imobilidade e cultiva o medo como seu anjo exterminador.

Finalizamos o ano com este sentimento compartilhado por muitos de um amargor, deixado na boca, provocado por sonhos sepultados, desilusões que se amontoam como um grande depósito de lixo a céu aberto. Uma sensação de perda irreparável, como a morte de um dos nossos, se estabelece ao percebermos novamente o afastamento de conquistas essenciais na formação da cidadania, da dignidade e da cultura. Somos hoje náufragos que mesmo enxergando a terra temos certeza intima que já não conseguiremos salvar nossa vida, a profundidade é mais forte, as ondas são perversas, a maré nos arrasta para fora.

Frustração é a palavra que hoje assombra a alma brasileira e perigosamente nos faz caminhar na borda de um conhecido abismo, experimentado por outros povos em diversos momentos trágicos da história humana, no limite da desesperança.

O ceticismo emergido a partir dessa verdadeira erupção de pus político, gangrena social e aberrações financeiras, poderá inviabilizar a reação de um país que vem sendo paralisado lentamente pelo depósito de cinzas vulcânicas recaídos sobre nossas cabeças a cada nova explosão de irresponsabilidade, violência, ignorância ou simplesmente idiotia.

Não há como negar que mesmo os mais resistentes, otimistas, aqueles que acreditam que fazendo nossa parte estaremos contribuindo para o conjunto, todos os que, conhecendo a história, sabem das grandes dificuldades para se construir um país justo e honesto, mesmo estes estão cansando do Brasil, procuram esquece-lo, afastam-se do país por sua descrença em subjugar este caos estabelecido e que privilegia apenas alguns, por algum tempo, em circunstancias específicas.

Talvez para revertermos essa situação tenhamos de leva-la ao limite. O caos tenha que se aprofundar mutíssimo mais para finalmente apoiarmos nossos pés no fundo do poço e aí  sim nos impulsionarmos na direção oposta do que vivemos hoje em nosso país. É provável que todo o vulcão, chamado brasil, tenha de explodir, esgotar-se suas lavas e suas cinzas sobre nossos corpos, para podermos estabelecer novas bases em nossa sociedade. Uma base sólida onde toda estupidez, individualismo, exclusivismo, insensatez, ganância, e é claro, os nossos cadáveres estejam firmemente petrificados para servirem de lembrança as futuras geração do que não se deve repetir.

brasil: the deliberate chaos

2017 starts and leaves behind a grotesque and frightening shadow of a country that negatively overcomes itself every day. Brazil always had an unfair society but now we are also more violent, besides, again, being more unequal.

My opinion is that, because all of us are hypocritically conniving with the perpetuation of injustices, we provoke the explosion of violence as a response or as a vanishing point in the most fragile layers of our social fabric. And I’m not talking only about the institutional violence, the one that is visible and has a proper name ― like homicides, robbery, kidnapping; above all, I’m talking about the domestic, social violence; the silent, invisible, and thus more tragic, violence that destroys our childhood. or penalizes the old age and all the other weaknesses. A kind of sordid violence that desires our immobility and cultivates fear as its exterminating angel.

We come to the end of the year with this feeling shared by many. The feeling of a bitter taste left in the mouth, incited by buried dreams, disappointments that pile up like a huge trash deposit under open skies. A feeling of loss beyond repair, like the death of a loved one, settles as we notice one more time the distancing of some essential conquests in the formation of citizenship, dignity, and culture. Today we are castaways who, though they can see the coast, know deep in their hearts that their lives won’t be saved. The profundity is stronger than us, the waves are perverse, the tide drags us out.

Frustration is the word that haunts the Brazilian soul today and dangerously makes us walk on the edge of a known abyss ― one that was already experienced by other people in various tragic moments of human history, in the limits of hopelessness.

The skepticism emerged by this true eruption of political pus, social gangrene, and financial abomination can render impossible the reaction of a country that has been slowly paralyzed by the deposit of the volcanic ashes that constantly fall over our heads after each new explosion of irresponsibility, violence, ignorance, or simply idiocy.

There is no way of denying that even the resistant ones, the optimists, those who believe that doing our part we will contribute to the bigger picture; all those who, knowing the history, recognize that there are big difficulties in building an honest and just country ― even these people are getting tired of Brazil, trying to forget it, going distant from the country because of their lack of faith in subjugating this chaos that gives privilege only to some, for some time, under specific circumstances.

Maybe to revert this situation we should raise it to the limit. Maybe the chaos must get deepened a lot more for us to finally set our feet at rock bottom, then we will be able to drive in the opposite direction of what we live today in our country. Probably the whole volcano called Brazil has to explode, to run out of its lava and ashes over our bodies, for us to establish new bases in our society. A solid base under which all stupidity, individualism, exclusivism, foolishness, greed ― and, of course, our dead bodies ― are strongly petrified to serve as a reminder to the future generations of what one should not do.

Ella

Ella

Ella (foto Melanie J. NZ)

Ella nasceu onde os seus pais se dissolveram e coagularam, já que todos os nossos processos psicológicos podem ser considerados como metáforas líquidas e químicas da natureza.

Transmitir deliberadamente o que possuímos, uns aos outros, é o que ainda nos mantém no rastro da nossa humanidade. É o poder da vontade se impondo ao afastamento da memória.

Falo do ponto de vista amplo da transmissão da imagem, da cultura, da psique mas, sobretudo da nossa natureza biológica.

Após a fecundação, essa misteriosa fusão nuclear entre o gameta feminino e o masculino, em um átimo, estas duas forças desdobram-se, interligam-se e reúnem histórias passadas, aglutinando incontáveis vidas sobrepostas de gerações em gerações, para após serem lançadas, agora como uma só, em um campo aberto, fértil, carregado de incertezas, onde o caos joga com ligações indeléveis, algumas frágeis, outras indestrutíveis, que chamamos: o futuro.

Futuro: um segundo a nossa frente, um espectro desenhado por essas relações insólitas e definitivas que se constróem todos os dias – quando alguém acrescenta algo marcante a outrem, como um professor ou uma mãe que transmitem as lições, um monge que transmite a paz, ou mesmo quando um carrasco transmite a dor – mas, sem dúvida a transmissão essencial é aquela que, como pais, passamos para um novo corpo, gerado de parte de nosso próprio corpo e de nossa alma.

Assombroso é ver fluir, através de linhas tênues, as marcas físicas, psicológicas e espirituais de um a outro ser. Indizível e imponderável, é sentir em cada gesto, em cada expressão, uma sequencia de vidas, de vozes, de rostos se desdobrando uns sobre outros em uma cadeia irresistível e transformadora da nossa história.

A nova vida que chega é a mesma vida que renasce milhões de vezes em si mesma, é um fogo transformador, é um milagre que escapa à ciência, à filosofia e mesmo à religião. A própria ideia de ancestralidade não é capaz de delimitar completamente as fronteiras deste evento original chamado nascimento, a perpetuação em si mesma dos desejos mais humanos gravitando entre aqueles individuais e coletivos, aquilo que passa em nossa retina em lapsos mínimos de tempo quando vemos nos olhos de nossos filhos ou netos, uma expressão singular, um som inesquecível, um conhecido movimento das mãos, um levantar da sobrancelha.

Ella que acaba de nascer, me parece, sempre foi nossa, desde tempos imemoriais, como tantos ainda virão, e também já são nossos, aguardando apenas um fluxo universal que nos liga inexoravelmente uns aos outros.

O encantamento que Ella gera é fruto dos sonhos mais longínquos despertados em nosso espírito na noite dos tempos.

Nós, os nosso filhos, os filhos dos nossos filhos, temos sempre uma história para ouvir, mas também uma outra importante para contar.

Ella

Ella was born in the point where her parents were dissolved and coagulated since all of our psychological processes can be considered as nature’s liquid and chemical metaphors.

To intentionally transmit to each other what we’ve got is what keeps us still in the path of our humanity. It’s the power of will imposing itself to the memory’s distancing.

I’m talking by the vast point of view of the image’s, culture’s, psyche’s transmission, but, overall, of our biological nature’s transmission.

After the fecundation, this mysterious nuclear fusion between the female’s and the male’s gamete, into one atimo, this two forces unfold, interconnect, and reunite past stories, agglutinating numerous superimposed lives, generations to generations, for being after released, now as one and only, in an open, fertile field, a full of uncertainties one, where chaos plays with indelible connections, some fragile, others unbreakable, which we call the future.

Future: a second ahead us, a spectrum drawn by these unusual and definitive relationships that build themselves every day – when someone adds something remarkable to the others, like a teacher or a mother that gives lessons; a monk that transmits peace; or even a executioner that transmits pain –, but, no doubt about it, the essential transmission is the one that, as parents, we pass to a new body, generated from our own body and our souls.

It’s astonishing to see it flow, through fine lines, the physical marks, the psychological and the spiritual ones to another being. Unspeakable and imponderable is to feel in every gesture, in each expression a sequence of lives, of voices, of faces unfolding upon each other in an irresistible and transforming network of our history.

The new life that arrives is the same life that is reborn a million times in itself; it’s a transforming fire, a miracle that science, philosophy, and even religion can’t handle.  The very idea of ancestrality isn’t able to completely delimit the borders of this original event called birth, the perpetuation of most human desires itself gravitating between those individuals and collectives, that that passes on our retinas in minimum time lapses when we see a singular expression in our sons’ or grandsons’ eyes, an unforgettable sound, a well-known hand movement, a raise of the eyebrow.

It seems to me that Ella is just born and was always ours, since immemorial times, like others that are still to come and are already ours, waiting for just a universal flow that connects us inexorably to each other.

The enchantment that Ella causes is a result of the most distant dreams awakened in our spirits in the night of times.

We, our children, the children of our children, will always have a story to listen to, but also an important one to tell.

Velas içadas

Sempre me pareceu que o melhor começo é espontâneo, intuitivo, e isso não significa total casualidade, já que todos os dias se acumulam ao nosso entorno: contatos, imagens, sons, palavras, cores, sensações, gostos, formas, ilusões….que convergem, em alguns momentos, parindo um novo “começo”. Assim acontece com os amores, com as decisões difíceis, com as guinadas em nossas vidas profissionais e sociais ou mesmo intimas (as mais difíceis).

A partir do nosso “baú de vivências” vamos nos recriando, abrindo novos espaços, utilizando novas ferramentas, tudo para trocarmos algumas experiências, conhecermos um pouco mais o mundo, os outros e, o que é mais importante, a nós mesmos.

O que me atrai? A cultura das pessoas, dos livros, das sociedades, as suas fronteiras; os limites geográficos, do corpo, da mente; a arte que brota no sangue, na dor, na mente, no inconsciente; o poder e sua negação; a topografia da alma e da pele; os desejos obscurecidos por convenções e fantasias. Me atrai também o que não vejo, o que apenas deixou um rastro, um vácuo, um aroma, o que dorme no fundo do mar.

Inicio aqui de forma espontânea, sem rumo, com a proa na direção do horizonte virtual, um grande vazio alimentado por algoritmos e esperanças, com as velas içadas, fornidas e sobranceiras, escrevendo para que o vento não dê espaço à calmaria.

 

Morro das Pedras

Morro das Pedras

 

Setted Sails

It always seemed to me that the better beginning is spontaneous, intuitive, which doesn’t mean total casualty, as every day piles up around us contacts, images, sounds, words, colors, sensations, tastes, forms, illusions… and they converge, sometimes, giving birth to a new “beginning”. Thus, this happens as well with lovers, with difficult decisions, with the shifts in our professional and social lives, or even in our intimate lives (the hardest ones).
From the trunk of our background experience, we recreate ourselves constantly, opening new spaces, using new tools: anything to exchange some experiences, to know a little more the world, other people and, the most important of all, ourselves.
What attracts me? The culture of people, of books, of societies, its borders; the limits of geography, of the body, of the mind; the art that sprouts on blood, pain, mind, unconscious; the power and its denial; the topography of soul and skin; the desires obscured by conventions and fantasies. Also, I’m attracted by what I cannot see, what has left just a trail, a vacuum, a smell; I’m attracted by what sleeps at the bottom of the sea.
Here I start in a spontaneous way, without direction, with the bow following the virtual horizon, a great emptiness nurtured by algorithms and hopes, with the set and equipped sails on, writing for the wind doesn’t make room for the lull.