Sobre

Se não há esperança, nem medo, o desenho das nossas horas é muito mais claro e intenso.

Não busco o alvo, tampouco o centro. A essência é sempre o outro, a busca é além, a fantasia é a pele envelhecida ao vento. Lembro a lição de Rembrandt: “A pele é lama que a luz transforma em ouro”.

Vem sempre de um tempo desconhecido o que nos sacode a vida, o que nos estimula a palavra. Nosso movimento involuntário entre outros homens e mulheres fricciona as almas, modifica os órgãos, forma e deforma a  visagem, amplia nossa aura. Se não somos os mesmos de ontem, por que nossas vidas seriam? Nossa relação com o entorno pode ser rica e ampla como nosso desejo. Ler o mundo é fechar os olhos e escutar a respiração, percorrer o fluxo sanguíneo até chegar na epiderme, tocar em uma parede celular em uma caminhada espantosa. Só existimos porque alguém nos vê, nos imagina, nos deseja.

A palavra busca o que não é visto nestes interstícios dos nossos dias, no vacuidade dos corpos, na respiração das florestas, na ilusão geográfica da luz, na dimensão matemática do pensamento, na força incontrolável do coração, na configuração incompreensível do animal humano.

About

If there’s neither hope nor fear, the drawing of our hours is much more clear and intense.

I don’t seek the target, nor the center. The essence is always the other one, the quest is beyond, the fantasy is the aged skin in the wind. I remember the lesson of Rembrandt: “the skin is mud that the light turns into gold”.

The things that shake our lives, that stimulate our words, always come from an unknown time. Our involuntary movement between other men and women makes friction on the souls, modifies the organs, forms and deforms the view, expands our aura. If we’re not the same as yesterday, why would our lives be the same? Our relation with the surrounding can be rich and vast like our desire. To read the world is to close the eyes and listen to the breath, going through the bloodstream until it hits the epiderm, touching a cell wall in an astonishing walk. We exist only because someone sees us, imagines us, wants us.

The word seeks what is not observed in these interstices of our days, in the vacuity of the bodies, in the breath of the forests, in the geographical illusion of the light, in the mathematical dimension of thinking, in the uncontrollable power of the heart, in the incomprehensible configuration of the human animal.

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